Cineastas Iranianos - Parte 1

Cineastas Iranianos - Parte 1

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- 11/09/2020 12:59:10


Nas últimas semanas, você já conheceu em nossa página sobre A História do Cinema Iraniano e sobre os cineastas Abbas Kiarostami, Jafar Panahi e Asghar Farhadi. E agora traremos para você uma série de recomendações de mais diretores iranianos para você ficar por dentro do fantástico cinema do Irã!
 

Mohsen Makhmalbaf

Mohsen Makhmalbaf (Persa: محسن مخملباف ) nasceu no Teerã, no Irã, em 29 de maio de 1957 e é um dos mais populares e influentes cineastas do Irã. Quando era adolescente da classe trabalhadora, se envolveu com um grupo militante que lutava contra o regime do Xá e, aos 17, foi condenado à morte depois de esfaquear um policial. Depois de cumprir apenas cinco anos de sua sentença, foi libertado após a Revolução Islâmica do Irã, em 1979. Após sua libertação, Makhmalbaf ajudou a estabelecer um grupo de artistas conhecido como Organização Islâmica de Propagação e se tornou um prolífico escritor de peças, ensaios, contos e, finalmente, roteiros.

Seu primeiro roteiro foi The Explanation (1981) e dirigiu seu primeiro longa, Pure Repentance, em 1983. Ao longo do restante da década, escreveu e dirigiu mais seis filmes, cada um muito diferente em estilo e conteúdo. Com o filme O Ciclista (1987), uma coleção autobiográfica de vinhetas que exploram a situação dos pobres urbanos do Irã, Makhmalbaf começou a atrair atenção dos festivais internacionais de cinema. Com seus próximos filmes, As Noites de Zayandeh-Rood (1990) e Time of Love (1991), também ficou sob observação do governo iraniano, que proibiu imediatamente os dois filmes no país.

O cineasta continuou a dirigir diversas produções no Irã até 2005, quando saiu do Irã por conta da eleição do Presidente Mahmoud Ahmadinejad. Makhmalbaf fugiu de vez do país após a reeleição do Presidente, que criou um grande caos político no Irã. O diretor passou a morar em Paris desde então e dirigiu novas produções em outros países como O Jardineiro (2012), em Israel, e O Presidente (2014), na Geórgia.

Por conta de seus conflitos políticos com o governo iraniano, todos os 40 filmes da família de Makhmalbaf e seus 30 livros foram banidos do país. Seu nome é proibido de ser mencionado pela mídia e todos os mais de 120 prêmios internacionais de sua família foram removidos do museu de cinema do Irã.

 

Dariush Mehrjui

Dariush Mehrjui (Persa: داریوش مهرجویی) nasceu em 8 de dezembro de 1939 no Teerã, no Irã. Desde jovem, Mehrjui estava envolvido com música e pintura, tocava piano e santoor, e desenhava miniaturas. Em 1959, deixou o Irã e foi para a Califórnia para estudar cinema. Mehrjui disse que não estava satisfeito com o curso, pois, naquela época, o Departamento de Cinema da University of California, Los Angeles (UCLA) estava mais interessado nos aspectos técnicos do cinema do que em seu significado como forma de arte. Na universidade, teve aulas com o diretor Jean Renoir, que o ensinou a trabalhar com atores. Porém, devido sua insatisfação com o curso em geral, mudou de curso e se formou em Filosofia pela UCLA.

Ao se formar em 1964, criou uma revista literária, Pars Review, com outros iranianos que queriam tornar conhecida a literatura iraniana contemporânea no Ocidente. Mehrjui escreveu seu primeiro roteiro, uma história de amor baseada em um antigo conto persa, e voltou ao Irã com a intenção de transformá-lo em filme. No entanto, o projeto entrou em colapso e ele fez um thriller chamado Diamond 33 (1967), uma paródia dos filmes de James Bond. O filme foi bem recebido pela crítica, mas falhou comercialmente.

Seu segundo longa, A Vaca (1969), trouxe reconhecimento nacional e internacional, e é um dos dois filmes que sinalizaram o surgimento do Novo Cinema Iraniano. O longa foi um dos primeiros projetos a receber o financiamento do Estado, no entanto, foi proibido pelos censores do Xá pelas imagens sombrias da sociedade rural iraniana. O filme foi contrabandeado para o Festival de Cinema de Veneza de 1971, fora da programação e sem título, e acabou sendo o grande título do ano do festival. O filme recebeu o prêmio da crítica em Veneza e visitou diversos outros festivais pelo mundo. Hoje é considerado um filme cultuado do Irã e foi selecionada como o melhor filme do cinema iraniano em três pesquisas diferentes realizadas por críticos iranianos.

Mr. Naive (1971), seu terceiro longa metragem, foi um sucesso de bilheteria. Seu próximo filme, The Postman (1972), foi uma metáfora política baseada em Woyzeck, de Karl Buchner. Já seu quinto filme, O Ciclo (1975), foi mantido nas prateleiras por 4 anos e depois se tornou um dos filmes de maior sucesso de Mehrjui no exterior. Mehrjui esteve envolvido na revolução do Irã e filmou uma grande quantidade de seus eventos diários. Em seguida, se estabeleceu na França por alguns anos, onde fez um docuficção, Journey to the Land of Rimbaud (1983), sobre a vida do grande poeta francês Arthur Rimbaud. Em seu retorno ao Irã, fez o filme Os Inquilinos (1986), que ainda é considerado a melhor comédia do cinema iraniano. O filme mais popular de Mehrjui entre os iranianos é Hamoun (1990), que foi o filme mais controverso de 1990 e marcou uma mudança no cinema de Mehrjui, de questões sociais para um cinema mais pessoal. Desde então, comandou cerca de treze produções, com seu trabalho mais recente sendo lançado em 2012, Orange Jumpsuit.

Para os críticos iranianos, Mehrjui é representante de uma geração de cineastas que contribuíram para desenvolver o cinema iraniano. Os filmes de Dariush Mehrjui já receberam 49 prêmios nacionais e internacionais.
 

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