Abbas Kiarostami, O Poeta Iraniano

Abbas Kiarostami, O Poeta Iraniano

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- 28/08/2020 12:29:05

Abbas Kiarostami (Persa عباس کیارستمی‎) nasceu no dia 22 de Junho de 1940 no Teerã, no Irã. Sua primeira experiência artística foi com a pintura e venceu uma competição de pintura aos 18 anos, pouco antes de sair de casa para estudar na Escola de Belas Artes da Universidade de Teerã. Kiarostami se formou em Pintura e Design Gráfico e passou um período desenhando pôsteres, ilustrando livros infantis e dirigindo anúncios e sequências de créditos de filmes, e apoiou seus estudos trabalhando como guarda de trânsito.

Em 1969, foi contratado pelo Kanoon (Instituto para o Desenvolvimento Intelectual de Crianças e Jovens Adultos) para estabelecer sua divisão de filmes. O instituto produziu seu primeiro trabalho como diretor, o curta lírico O Pão e o Beco (1970), que já apresenta elementos que definiriam seu estilo de direção com performances improvisadas, texturas de documentários e ritmos da vida real. Seu trabalho de longa-metragem com 70 minutos de duração foi O Passageiro (1974), sobre um garoto rebelde da aldeia determinado a ir à Teerã e assistir uma partida de futebol. Porém, o filme O Relatório (1977) foi considerado seu primeiro longa-metragem, 112 minutos de duração.

Kiarostami continuou a dirigir diversos curtas-metragens, além de alguns documentários. Em 1987, dirigiu um de seus filmes mais populares, Onde Fica a Casa do Meu Amigo?, o primeiro da trilogia de filmes que se passam na vila Koker, no Norte do Irã. Nesse longa, Kiarostami mudou de seu assunto tradicional da vida moral das crianças para explorar a sobreposição entre filme e realidade. O longa recebeu o Leopardo de Bronze no Festival de Locarno. Após dirigir Lição de Casa (1989), Kiarostami comandou o docuficção Close Up (1990), considerado por críticos como um dos melhores filmes da história do cinema mundial e recebeu aclamação de cineastas como Jean-Luc Godard, Martin Scorsese e Werner Herzog. Close Up conta a verdadeira história de um cineasta que enganou uma família de classe alta de Teerã fingindo ser o diretor Mohsen Makhmalbaf. O cinéfilo impostor, a família e Makhmalbaf se representaram no filme.

Após o terremoto de 1990, que matou mais de 30 mil pessoas no Irã, Kiarostami voltou para Koker para fazer seus próximos filmes que ficaram conhecidos como a “trilogia de Koker”. No filme Vida e Nada Mais (1991), o diretor foi para a vila à procura dos atores de Onde Fica a Casa do Meu Amigo? (1987) e, no percurso da estrada, mostra os danos que o terremoto deixou no país. Kiarostami encerrou sua passagem por Koker com filme Através das Oliveiras (1994), longa que expande a história do filme anterior. A trilogia de Koker e Close Up trouxeram aclamações internacionais para Kiarostami. No ano seguinte, o diretor escreveu o roteiro do primeiro filme de Jafar Panahi, O Balão Branco (1995).

Seu próximo grande sucesso foi com o filme Gosto de Cereja (1997), sobre um homem que dirige pelas colinas nos arredores de Teerã tentando encontrar alguém que o enterre depois de cometer suicídio. O filme foi proibido no Irã por supostamente encorajar o suicídio. Grande parte da ação do filme se desenrola em longas cenas de conversa no carro do protagonista. Gosto de Cereja compartilhou a vitória da Palma de Ouro no Festival de Cannes com o filme A Enguia (1997), de Shohei Imamura. 

O Vento Nos Levará (1999) conta a história de um engenheiro que viaja com uma equipe de filmagem para uma remota vila nas montanhas para documentar uma cerimônia fúnebre. O filme é contado em um estilo elíptico, com muitos personagens permanecendo completamente fora da tela. Esse também está entre seus filmes mais aclamados e venceu o prêmio do Júri, recebendo o Leão de Prata no Festival de Veneza.

Em 2000, na cerimônia de entrega de prêmios do Festival de São Francisco, Kiarostami recebeu o Prêmio Akira Kurosawa, pela realização vitalícia na direção, mas surpreendeu a todos ao entregá-lo ao ator iraniano Behrooz Vossoughi, por sua contribuição ao cinema iraniano.

No ano seguinte, fez ABC África (2001), um documentário sobre órfãos de Uganda cujos pais morreram de AIDS ou foram mortos na guerra civil. Esse foi o primeiro de vários trabalhos que Kiarostami filmou inteiramente usando vídeo digital. Em seu próximo filme, Dez (2002), Kiarostami aproveitou a liberdade criativa oferecida pelo equipamento de vídeo digital leve para fazer um filme de 10 cenas totalmente ambientadas no banco da frente de um carro, onde uma jovem divorciada dirige por Teerã e conversa com seu filho e um grupo diversificado de mulheres que forma uma seção transversal do Irã contemporâneo.

O filme Cinco (2003) foi dedicado ao cineasta japonês Yasujirō Ozu e apresenta cinco cenas de uma filmagem à beira-mar sem movimento de câmera, em um estilo inspirado no diretor japonês. Nessa época começou um período da filmografia de Kiarostami em que o diretor fez filmes que evitavam o uso de uma narrativa. Depois de comandar mais alguns documentários e curtas-metragens, Kiarostami dirigiu Shirin (2008), onde uma plateia composta por mulheres assistem a um filme inspirado no poema épico romântico de Neẓāmī, Khosrow e Shīrīn. O filme consiste, exceto nos créditos, em close-ups das mulheres. Além disso, o filme sobre Khosrow e Shīrīn é ouvido, mas nunca exibido.
Cópia Fiel (2010) foi o primeiro longa-metragem narrativo de Kiarostami desde o filme Dez e foi o primeiro longa que filmou fora do Irã e em uma língua estrangeira. Em Toscana, na Itália, uma proprietária de uma galeria, interpretada por Juliette Binoche, convida um historiador de arte para passear pelo campo com ela. No entanto, a verdadeira natureza de seu relacionamento é ambígua, pois às vezes agem como um casal de longa data e, às vezes, parecem ter acabado de se conhecer. 

O filme foi internacionalmente aclamado e Binoche recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes. Seu próximo filme, Um Alguém Apaixonado (2012), foi filmado no Japão e em japonês. O longa conta com uma das marcas de Kiarostami, diversas cenas durante a condução de um transporte. O filme recebeu críticas positivas e concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes.

O diretor faleceu aos 76 anos de idade, no dia 4 de Julho de 2016, após complicações de duas cirurgias em que sua família e amigos acusam ter sido consequências de erro médico. Sua morte chocou a comunidade cinematográfica nacional e internacionalmente. Seu último filme, 24 Frames (2017) foi lançado postumamente e é um trabalho experimental onde o cineasta escolheu 24 imagens de pinturas e fotografias e criou cenas baseado em sua imaginação dentro dessas imagens. Seu último trabalho foi aclamado pela crítica.

Abbas Kiarostami é o diretor mais popular internacionalmente do Irã e é considerado um dos mais influentes cineastas do cinema mundial. Com seu estilo único de se fazer cinema, muitos cineastas iranianos seguiram seu estilo e inspirou muitos cineastas internacionais com sua forma realista e documental de contar histórias, através de contraposições entre ficção e realidade e as técnicas audiovisuais usadas em suas produções.
 

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