A História do Cinema Japonęs - Parte 4

A História do Cinema Japonęs - Parte 4

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- 08/05/2020 08:24:07


Continuamos hoje a nossa viagem pela história do cinema japonês! Você pode conferir a Parte 1 aqui, Parte 2 aqui e Parte 3 aqui!

 

A década de oitenta apesar da participação do país em premiações internacionais e vitórias de prêmios importantes como a Palma de Ouro por Balada de Narayama (Narayama Bushiko 1983) e Kagemusha (1980) dirigidos por Shohei Imamura e Akira Kurosawa respectivamente. É um período marcado pelo continuação do declínio dos principais estúdios. 

Parte importante para o resgate do público são os filmes de animação como, Nausicaa do Vale do Vento (1984) de Hayao Miyazaki é responsável pela criação dos estúdios Ghibli em 1985 pelo diretor, o também diretor Isao Takahata e o produtor Toshio Suzuki. Os filmes produzidos serão grandes responsáveis por movimentam o mercado interno. Filmes como Túmulo dos Vagalumes (Hotaru no Haka 1988) e Meu vizinho Totoro (Tonari no Totoro 1988) dentre outros filmes, figuram no topo das bilheterias nacionais. Os estúdios Ghibli se tornaram respeitados mundialmente com o passar dos anos os filmes de animação japoneses se tornaram um dos gêneros mais prolíficos do país durante as próximas décadas, inclusive internacionalmente com a distribuição de animes em grande escala para o mundo todo. Fugindo da abordagem leve dos filmes do Miyazaki, Nomes como Satoshi Kon e principalmente Katsuhiro Otomo com Akira (1988) e sua estética cyberpunk mudaram por completo o olhar do público ocidental perante a animação como algo exclusivamente voltado para o público infantil, influenciando assim diversas animações ocidentais.
 

Após o colapso da bolha financeira e imobiliária, o Japão sofre uma grande recessão econômica nos anos 90 durando mais de uma década, esse impacto novamente sofrido pela população se reflete novamente na produção cinematográfica menos realista, desde a continuação da produção de animações que continuam a bater records de bilheteria. A entrada de diretores como Takashi Miike, Audition (1999) e  seu cinema extremamente violento inspirando a obra de Tarantino, e Takeshi Kitano que em Sonatine (1993) apresenta abordagem  artística, poética e menos convencional  ao gênero Yakuza Eiga.

Hanabi, seu filme de 1997 ao ganhar um Leão de Ouro em Veneza marca, segundo estudiosos, um novo descobrimento do cinema japonês pelo Ocidente. Devido a sua carreira como comediante, chegando a ser mais conhecido dentro do Japão como Beat Takeshi, seu apelido dos programas de comédia, Kitano consegue trazer o humor para todos os seus filmes.
 

A Animação japonesa atinge seu auge mundial, em parte graças A Viagem de Chihiro  (Sen to Chihiro no Kamikakushi 2001).  Dirigida por Miyazaki, é o único filme de língua estrangeira a ganhar o Oscar de melhor filme de animação, aumentando não só a visibilidade dos Estúdios Ghibli mas também propiciando uma abertura ainda maior do mercado ocidental para as produções animadas japonesas.
 

O cinema contemporâneo japonês apesar da presença em peso das animações e outros gêneros menos realista como o Surgimento de diversos novos diretores exclusivos desta vertente tal como Makoto Shinkai, Seu Nome (Kimi no Na Wa 2016) e até o próprio Miyazaki com filme previsto para o ano que vem, o cinema se vê novamente voltado ao retrato do cotidiano, aos anseios modernos e aos novos problemas enfrentados nesse novo século.
Hirokazu Koreeda com Pais e Filhos (Soshite Chichi ni Naru 2013), Nossa Irmã Mais Nova (Umimachi Diary 2016), Assuntos de Família (Shoplifters 2018) trata de disparidade econômica, relações familiares e aspectos culturais além dos sentimentos dos marginalizados Sua própria ex assistente de direção Miwa Nishikawa aborda assuntos semelhantes em sua filmografia, principalmente a questão da culpa e os problemas que a falta da comunicação entre as pessoas pode se mostrar extremamente cruel como retratada em Sway (Yureru 2006) e em seu último filme The Long Excuse (Nagai iiwake 2013). 


Naomi Kawase utiliza como cenário o interior do Japão, principalmente a cidade de Nara onde nasceu e realiza um festival de cinema. Kawase tem como fio condutor de suas obras a natureza e a memória utilizando o cinema como um objeto para retratar a sociedade. Em Cintilação (Hikari 2017) conta a história de um fotógrafo perdendo a visão que se envolve com uma jovem que trabalha como audio descritora e só consegue descrever de forma mecânica e sem nuances, o filme mostra o medo do protagonista em se esquecer da beleza do mundo pela perda da visão fazendo um paralelo da importância da preservação da produção cultural. Naoko Ogigami com seus filmes otimistas e bem humorados, dentre eles, Entre laços (Karera ga honki de amu toki wa 2017) trata da transexualidade com respeito e delicadeza. Um assunto muito difícil de ser tratado em filmes nipônicos e junto a atuação cada vez mais expressiva das mulheres por trás das câmeras demonstra uma grande evolução da cinematografia japonesa. 


Em contraposição com essa narrativa mais convencional, temos estética estilizada da obra de Sion Sono onde utilizando técnicas muito similares às adotadas pela Nouvelle  Vague japonesa junto a influência do Pink Eiga como observado com sua facilidade em Antiporno (2016) , quarto filme de uma série de filmes produzidos pela Nikkatsu a fim de homenagear seus antigos Roman Pornô, dentre eles Mulher Molhada ao Vento (Kaze ni Nureta Onna 2016) dirigido por Akihiko Shiota. 
 

O cinema japonês difere de grande parcela do cinema mundial por sua atenção aos detalhes e por conseguir mesclar diversos gêneros de forma tão concisa. Por mais que o filme seja denso tal como um filme de Mizoguchi, a sempre uma cena que consegue atenuar a experiência do espectador. A narrativa utiliza bem os respiros promovendo ao espectador momentos de reflexão da cena que acabou de ser apresentada sem diminuir o cuidado estético e técnico, desde a direção de arte até à fotografia. Esta filmografia segue em completa evolução, seja na gama de novos assuntos abordados, novas técnicas empregadas por novos cineastas e principalmente pela diversidade cada vez maior dos profissionais atuando por trás das câmera. Um cinema tão belo e tão rico com nuances mesclando o exótico com assuntos atuais deve ser visto com maior frequência.

 
Essa foi a Parte 4 de nossa viagem pela história do Cinema Japonês, fique ligado para as próximas partes! E você pode conferir a nossa box dedicada ao Cinema Japonês em nossa loja: https://rosebud.club/produto.asp?produto=49

- Texto de Gabriel da Cunha Esteves  

Gabriel é diretor de arte, bacharel em cinema pela UNESA e atualmente atua como voluntário junto a Cinemateca brasileira. Nutre uma paixão e respeito pelo cinema japonês e busca o aperfeiçoamento de seus conhecimentos nessa área durante sua vida acadêmica.

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