Psicologia das Cores no Cinema

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Blog - Psicologia das Cores
- 07/12/2018 10:07:04

   
     A cor é um fenômeno que naturalmente chama atenção das pessoas. Isso se dá de forma inconsciente e muitas vezes nem sabemos o motivo pelo qual uma roupa, um caderno, uma loja ou um filme nos chamou atenção. As cores representam estímulos e também estão atreladas às emoções. Cada cor (e a mínima variação da mesma; os tons) representa uma diferente emoção e possui um reflexo diferente nas pessoas.

     A Psicologia das Cores é o estudo do caráter psicológico das cores, a entender o modo como a cor influência nossas sensações e emoções de forma inconsciente. Esse estudo começou quando Johann Wolfgang Von Goethe publicou um estudo chamado Teoria das cores, onde fez análises sobre o caráter fisiológico e psíquico das cores. Nesse estudo, Goethe atribuiu qualidades internas às cores da roda: o vermelho era associado a uma cor bonita e estimulante; o amarelo ao bom; o verde ao útil; e o violeta ao desnecessário.

Circulo cromático desenvolvido por Goethe

     Depois de traduzido por Charles Eastlake, em 1840, o estudo de Goethe se tornou muito conhecido e difundido no mundo da arte, influenciando e servindo de base para grandes pintores, como William Turner e Wassily Kandinsky. Para Kandinsky o trabalho de Goethe foi um dos trabalhos mais importantes acerca das cores.

     Há 20 anos atrás, uma professora da Escola de Artes Visuais em Nova York percebeu que seus alunos de design escolhiam cores aleatórias para seus trabalhos. Com a intenção de investigar as possibilidades conceituais para informá-los sobre suas decisões de cor, a professora Patti Bellantoni pediu que eles levassem para a sala de aula o que eles achavam que era “Vermelho” – sem mais explicações ou discussões.

     No dia da aula combinada, os alunos apareceram usando vermelho, levando paletas de cor, papéis de embrulho e tecidos, além de pimentões, carros de bombeiro de brinquedo com luzes e sirene, balas de canela vermelha e música rock’n’roll. Para Bellantoni, o comportamento da turma mudou e, naquele momento, todos estavam experimentando a consciência de como nós vemos a cor. Os alunos se tornaram conscientes de que havia um comportamento “Vermelho” acontecendo:

     Os alunos estavam conversando mais alto que o normal e aumentaram o volume do rock. Os homens, em particular, ficaram suados e agitados. A professora chegou a separar uma briga entre dois jovens que costumavam ser grandes amigos. Depois da experiência do Dia do Vermelho, os alunos concordaram em tentar o experimento novamente na semana seguinte, com uma cor diferente. Eles escolheram azul.

     O vermelho e o azul são cores psicologicamente contrárias pois são duas cores que contrastam em seus significados. Assim, podemos imaginar que o comportamento no Dia do Azul foi completamente diferente da experiência da semana anterior. Enquanto o vermelho elevou os ânimos, o azul tornou tudo mais calmo e passivo. Os objetos que os alunos levaram também foram completamente diferentes: havia grandes almofadas azuis pálidas, balas refrescantes e músicas New Age. Em poucos minutos, aquele barulho e os alunos violentos da semana anterior pararam de falar, relaxaram e ficaram quase apáticos. Segundo Bellantoni, um senso de calma permeou a sala. Ao contrário de correr para a porta, como fizeram anteriormente, eles não queriam se mexer.

     Através da descrição das duas experiências, conseguimos ver como o vermelho e o azul são, em termos psicológicos, cores contrárias. Não existe sentimento negativo em que o azul predomine. Já no vermelho, podemos ver a agressividade e o ódio como pontos negativos. Podemos ver a contradição psicológica entre o vermelho e o azul, respectivamente dessa forma: Ativo – Passivo; Quente – Frio; Ruidoso – Silencioso; Corpóreo – Mental. O azul é uma cor para pensar, não para agir. Diferente do vermelho, que é uma cor essencialmente ativa.

Ryan Gosling no filme Apenas Deus Perdoa  (2013)


Keir Dullea no filme 2001: Uma Odisséia no Espaço  (1968)

     Assim, conseguimos ver como cada cor nos afeta de forma única, mesmo a menor variação de uma cor pode ter uma profunda influência sobre nosso comportamento. A cor é um dos elementos raramente reconhecidos pelo público enquanto os manipula. Ela continua ressoando, enviando sinais, independente de nossas intenções. Sendo assim, estando dentro ou fora da tela, é essencial que saibamos o que estamos fazendo. Em mãos conscientes, a cor pode se tornar uma ferramenta poderosa para os cineastas criarem camadas em suas histórias.

     No próximo post, entraremos nas análises dos filmes. Fiquem ligados no instagram @rosebud.club para responder à enquete de qual filme vocês querem que sejam analisados aqui!




Nicole Verissimo
 é formada em Cinema pela PUC-Rio e estudante de Publicidade com domínio adicional em Neurociência e Cognição.

 

 

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