O Rebelde Francês

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- 26/03/2019 11:58:29

Nascido em Paris, França, em 3 de dezembro de 1930, Jean-Luc Godard é um dos principais cineastas do movimento conhecido como Nouvelle Vague que teve seu auge na década de 60.

Conhecido por inovações estilísticas que desafiaram as convenções do cinema de Hollywood, ele é universalmente reconhecido como o mais audacioso, radical e também o mais influente dos cineastas da Nouvelle Vague. Sua obra reflete um fervoroso conhecimento da história do cinema, uma compreensão abrangente da filosofia existencial e marxista, e uma profunda percepção da fragilidade das relações humanas. Ainda bem jovem, ele atribuiu sua introdução ao cinema a uma leitura da redação de Malraux, “Esboço de uma psicologia do cinema” e sua leitura da Revue du Cinéma, relançada em 1946.

Em 1946, Godard foi estudar no Lycée Buffon, em Paris, onde pretendia estudar matemática avançada com a intenção de ingressar na escola de engenharia. Em vez disso, ficou viciado na popularidade do cineclube da capital e começou a assistir filmes dia e noite. No início dos anos 50, Godard começou a frequentar os seguintes clubes: a Cinémathèque, o CCQL, a Work & Culture e entre outros. Nesses clubes, conheceu outros entusiastas do cinema, incluindo Jacques Rivette, Claude Chabrol e François Truffaut, que logo seriam seus parceiros na criação do movimento Nouvelle Vague, e também André Bazin, o fundador da Cahiers du Cinéma.

Godard fazia parte de uma geração a qual o cinema seria de uma importância especial. O cineasta disse: “Na década de 1950, o cinema era tão importante quanto o pão, mas não é mais o caso. Pensávamos que o cinema se afirmaria como um instrumento de conhecimento, um microscópio, um telescópio. Na Cinémathèque eu descobri um mundo que ninguém me falou, nos contaram sobre Goethe, mas não sobre Dreyer. Assistimos filmes mudos na era dos filmes falados, sonhamos com cinema, éramos como cristãos nas catacumbas.”


Godard começou sua carreira na indústria cinematográfica como crítico de cinema junto de Maurice Schérer, que tempos depois viria a ser conhecido por seu pseudônimo Éric Rohmer, e Jacques Rivette no jornal chamado Gazette du Cinéma. Em 1951, André Bazin fundou a revista Cahiers du Cinéma e Godard foi um dos primeiros críticos a se juntar à revista, com sua primeira crítica sendo lançada na edição de Janeiro de 1952 sobre o filme americano “No Sad Songs For Me”, de Rudolph Maté.

Na edição de setembro de 1952, foi lançado seu artigo “Defesa e Ilustração da Decupagem Clássica”, na qual ele ataca um artigo anterior de Bazin e defende o uso da técnica de shot- reverse shot. Essa técnica de filmagem se dá quando vemos um personagem olhando para outro personagem fora de câmera e depois o personagem fora de câmera é visto olhando de volta para o primeiro personagem. Essa é considerada uma de suas contribuições mais importantes para o cinema.

Na passagem de 1954 para 1955, Godard fez sua primeira filmagem como diretor, fazendo um curto documentário que documenta a construção de uma barragem, uma obra sendo feita pela empresa em que o amante de sua mãe trabalhava e o arrumou emprego para trabalhar para a construtora. O documentário foi comprado pela empresa e usado para publicidade, se chamando Opération Béton.

Nos anos seguintes, Godard veio a dirigir mais quatro curtas-metragens, até decidir que ele já teria experiência suficiente para dar o próximo passo e comandar seu primeiro longa metragem. Com os contatos que conseguiu criar durante os últimos anos, Godard conseguiu o investimento que queria e deu início à produção de seu primeiro filme, “Breathless”, em 1960. Esse foi o trabalho que revelou o talento de Godard de Paris para o mundo e deu o pontapé para alavancar a carreira do diretor francês, considerado até hoje como um dos mais importantes e influentes diretores da história do cinema.

Nos anos 60, durante a Nouvelle Vague, Godard alcançou o auge de sua carreira como cineasta, lançando seus maiores sucessos, “À bout de souffle”, “Le Petit Soldat”, “Une Femme est une Femme”, “Vivre Sa Vie”, “Les Carabiniers”, “Le Mépris”, “Bande à part”, “Une Femme Mariée”, “Alphaville”, “Pierrot Le Fou”, “Masculin Féminin”, “Made in the U.S.A”, “Deux ou trois choses que je sais d’elle”, “La Chinoise” e terminando sua contribuição na Nouvelle Vague com “Week-end”. Um dos destaques dessa fase de sua carreira foi sua longa parceria com sua ex-esposa Anna Karina que rendeu sete filmes juntos e tornando Anna Karina uma das principais atrizes do cinema francês.

Godard já alcança a marca de mais de 60 anos de carreira e já comandou mais de 70 produções que contam com filmes, curtas e documentários. Ele também foi um grande ativista político na França, e participou de movimentos cinematográficos políticos como o Dziga Vertov Group, fazendo protestos sobre a situação da época. O cinema de Godard nunca foi feito de simples histórias, mas sempre com algo a dizer, sendo protestos políticos, reflexões filosóficas ou lindas poesias. Como diretor, Godard nunca mais alcançou o mesmo sucesso que teve durante a Nouvelle Vague, porém, nunca perdeu sua importância para o cinema, sempre trazendo inovações para suas novas produções e contribuindo com estudos e análises sobre a história e o futuro do cinema como sétima arte. Mesmo que Godard decidisse ter parado de trabalhar ainda nos anos 60, suas produções da época já são o suficiente para colocá-lo entre os mais importantes cineastas e os que mais trouxeram inovações e contribuições para a evolução do cinema que são sentidas até os dias de hoje, e continuarão sendo analisadas e influentes pelas próximas décadas a vir.

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