A Querida Avů do Cinema FrancÍs

A Querida Avů do Cinema FrancÍs

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Blog - Artigos
- 02/04/2019 12:11:09

 

Um dos principais rostos do cinema francês até os dias de hoje, Agnès Varda nasceu no dia 30 de Maio de 1928 na Bélgica. Mas logo em 1940, Varda e sua família se mudaria para a França, onde passaria o resto de sua vida e criaria sua carreira profissional.

Agnès Varda estudou na École du Louvre, com foco em história da arte e fotografia na École des Beaux-Arts. Ela então passou a trabalhar no Théâtre National Populaire em Paris como fotógrafa, que era dirigido pelo famoso ator e cineasta francês Jean Villar, e onde trabalhou por 10 anos, entre 1951 e 1961, e durante esse tempo, sua reputação cresceu e ela acabou conseguindo empregos fotojornalista em toda a Europa.

1954, Chris Marker e Alan Resnais, que logo se tornariam seus colegas profissionais do Left Bank, encorajaram-na a dirigir seu primeiro longa, "La Pointe Courte", à frente da French New Wave. Isso apesar de ela não ter nenhuma experiência anterior em fazer filmes, e ela havia assistido apenas 20 filmes antes de começar a produção de seu primeiro filme que seria lançado no ano seguinte, em 1955. La Pointe Courte foi feito com um orçamento em cerca de apenas 14 mil dólares, e foi bem recebido pela comunidade cinematográfica francesa.

Em 1958 em Paris, Varda iria conhecer Jacques Demy, diretor francês que também fez parte do grupo Left Bank, e em 1962, os dois se casaram e se manterem juntos até a morte de Demy em 1990. Varda teve um filho com Demy chamado Mathieu Demy, que também seguiu a carreira dentro do cinema e participou de alguns trabalhos de sua mãe.

Embora ela tenha ajudado iluminar o caminho para o que viria a se tornar o movimento French New Wave, não foi até a estreia explosiva de seus colegas da New Wave que Varda receberia outra oportunidade para dirigir um longa novamente, "Cléo De 5 à 7" (1961), que a estabeleceria como um talento significativo na cena do cinema internacional. Em "Cléo de 5 à 7", a história sobre vida de uma mulher enquanto ela espera para saber se ela tem câncer, testemunhamos o surgimento de um grande tema de Varda, emprestado de Simone de Beauvoir: "Não nascemos mulheres, tornamo-nos uma".

E esse filme seria o responsável por lançar a carreira de Varda de Paris para o mundo.

Ao contrário de seus contemporâneos que escreveram para os Cahiers du Cinéma, Varda resiste à intelectualização do cinema. No entanto, ela desenvolveu sua própria noção de composição, que ela descreve como o processo da escrita ciné, mas no mais amplo dos sentidos: estilo de edição, comentários verbais, escolha do lugar, da temporada, da equipe e da luz.

A maioria dos artigos sobre Varda centra-se em argumentos a favor ou contra o seu trabalho como feminista. Ela existe como parte de uma longa história de cineastas femininas, incluindo Germaine Dulac, Marguerite Duras, Chantal Akerman e Alice Guy (que se destaca como a primeira diretora de cinema). Varda foi rejeitada pela crítica Claire Johnston como "reacionária e certamente não feminista", porém Johnston se encontrou entre a minoria ao meio das aclamações sobre Varda sendo considerada pela maioria como um exemplo de cinema feminista por seu uso consistente de protagonistas femininos e criação de uma voz feminina cinematográfica. Quando perguntada se ela se via como feminista, ela respondeu: "Eu nem sempre fui muito clara sobre discriminação e não é exatamente a minha imagem".

Apesar de seu cinema único, inovador e revolucionário, Varda geralmente não é incluída entre as discussões sobre a French New Wave e sua participação e contribuição no movimento. Quer seus filmes possam ou não ser considerados feministas, eles são certamente sobre a vida das mulheres, contendo temas sociopolíticos, filosóficos e atuais, sem jamais perder o senso de diversão ou a arte de entreter o público. Agnès Varda sempre esteve à frente de seu tempo, na técnica e no estilo do cinema, e também em comentários políticos.

Hoje, Varda é considerada a “avó” da comunidade cinematográfica mundial, e principalmente por seus colegas do cinema francês.

Seus trabalhos mais recentes são "Visages Villages", lançado em 2017 e foi nomeado a categoria de Melhor Documentário no Oscar de 2018, onde Varda prova para o público o quanto ela ainda tem a oferecer para a comunidade com sua arte. E em 2019 será lançado o documentário "Varda par Agnès", que teve sua estreia no Festival de Cinema de Berlin, onde a cineasta foi ovacionada e premiada por seu trabalho.

No dia 29 de Março de 2019, aos 90 anos de idade, Varda veio a falecer por conta de complicações em sua batalha contra o câncer. Porém sua morte não foi motivo apenas de tristeza, mas também de celebração e homenagens aos 90 anos de uma cineasta que revolucionou o cinema, a inspiração que passou para milhares de pessoas, as portas que ela abriu para mulheres no cinema e todo o seu trabalho que será eternizado na história da sétima arte.

Para sempre, Agnès Varda! 

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