O Cinema Mudo

O Cinema Mudo

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- 27/06/2019 13:50:32

 

A indústria cinematográfica teve um começo humilde. No final do século 19, diversos inventores como Thomas Edison e os Irmãos Lumière trabalharam em máquinas que captavam e projetavam imagens. Com a invenção de tais máquinas, nasceu o Cinema e a primeira fase foi a Era do Cinema Mudo, que ocorreu entre 1894 a 1929.
O que começou como uma mera novidade, dado a invenção de câmeras cinematográficas nos anos 1890, tornou-se um marco da cultura mundial. A arte do cinema experimentou um tremendo crescimento e inovação nos mais de 120 anos – desde os primeiros clipes silenciosos de um minuto que envolviam pouca técnica, nenhum movimento de câmera e uma grande engenhoca de madeira que se assemelhava a uma câmara escura. Hoje em dia, os filmes são exibidos em enormes telas em cores, as câmeras se movem dramaticamente em paisagens urbanas expansivas que parecem ter sido dizimadas e o som vem de todos os lados, fazendo os espectadores questionarem se estão apenas assistindo a um filme ou se estão vivendo dentro do filme. Mas apesar de todas as maravilhas tecnológicas que obtemos hoje, devemos lembrar que temos uma grande dívida com os filmes mudos, sem os quais não teríamos a experiência cinematográfica de ponta que todos nós gostamos hoje.

Em sua primeira fase, os filmes enfatizavam apenas o movimento. Não havia som e eram, geralmente, sem enredo. Apenas o registro de imagens em movimento. Um dos primeiros filmes de curta-metragem foi uma coleção de cenários de 15 a 30 segundos criados pelos Irmãos Lumière, na França. O primeiro “show” de filmes, que durou de 5 a 8 minutos, foi uma coleção dessas cenas curtas: um trem chegando a uma estação, um homem regando seu jardim, homens jogando cartas, pessoas saindo de uma balsa e um vendedor ambulante vendendo suas mercadorias. As primeiras apresentações dos Irmãos Lumière em Paris, em 1895, encantaram as pessoas, atraindo grandes multidões.

Essa primeira fase dos filmes, no final da década de 1890 e nos anos 1900, enfatizava a reprodução do movimento humano. A segunda fase começou a surgir por volta de 1900. Os cineastas superaram os aspectos técnicos de apenas mostrar o movimento e começaram a contar histórias. O filme de Edwin Porter, "The Great Train Robbery", de 1903, é um bom exemplo dos primórdios do cinema demonstrando a natureza do storytelling em filme. Esses primeiros filmes foram bastante curtos, com duração de 5 a 8 minutos. Eles eram chamados de "onereelers" (apenas um rolo de filme).

Um dos diretores iniciais mais dinâmicos foi David Wark Griffith, conhecido como D. W. Griffith, responsável por ter produzido centenas de onereelers no período de 1908 a 1912. Os nomes dos atores não eram divulgados, por medo de que eles se tornassem estrelas e desejassem salários mais altos. Um dos primeiros filmes de Griffith foi "The Lonedale Operator", de 1911, estrelado por Blanche Sweet. Esse filme demonstra algumas das técnicas inovadoras de Griffith, incluindo o corte transversal (corte de uma cena para outra cena e depois para frente e para trás, com intuito de desenvolver várias partes de uma história e para criar suspense) e closes. Alguns dos primeiros donos de empresas de filmes se opuseram a closes, argumentando que os espectadores do filme gostariam de ver a pessoa inteira e não apenas o rosto. Os closes, no entanto, poderiam trazer dramaticidade para a história. Griffith e outros na indústria queriam ir além da fórmula simples que caracterizou a indústria no início do século 20. Porém, os proprietários do setor eram resistentes, queriam manter as curtas produções feitas em um rolo de filme e contar histórias de forma limitada. Esses proprietários monopolizavam a indústria, controlando patentes de máquinas e câmeras importantes. Assim, controlando a distribuição.

Apesar disso, Griffith conseguiu o seu desejo de fazer filmes maiores. Em 1915, dirigiu o primeiro longa em 12 rolos de filme nos Estados Unidos, o famoso “The Birth of a Nation”. Esse foi o primeiro longa-metragem de grande sucesso. Custou 100 mil dólares, o que era considerado um custo altíssimo naquela década, particularmente em uma indústria que até então era pequena e pouco lucrativa. O filme durou mais de 3 horas, foi popular, controverso e estabeleceu Griffith como um dos principais diretores do país, além de ter arrecadado 18 milhões de dólares. Tecnicamente, foi de qualidade revolucionária e inovadora para o cinema, com close ups, cross-cutting, fadeouts, iluminação dramática e uma sequência de batalha cuidadosamente encenada com centenas de extras feitos para parecerem milhares. Ele também continha inovadoras técnicas artísticas, como matiz de cores para fins dramáticos, construindo o enredo para um clímax excitante, dramatizando a história ao lado de ficção e apresentando sua própria trilha musical original, escrita para uma orquestra apresentar durante a exibição do filme. Com "The Birth of a Nation", os filmes chegaram à América como algo de interesse para a classe média americana. O filme demonstrou o poder e a popularidade dos filmes e também mostrou que grandes lucros poderiam ser obtidos na indústria.

Os primeiros filmes no Oriente não nomeavam os atores por medo de criar estrelas e, assim, ter que aumentar os seus salários. Porém, como Hollywood cresceu no período posterior a 1912, a indústria passou a depender cada vez mais de estrelas para trazer as pessoas de volta ao cinema. Os diretores usavam as receitas de um filme atual para financiar seu próximo projeto e, então, cada filme precisava ganhar dinheiro. Uma maneira segura de ganhar dinheiro era usar o poder das estrelas.
As primeiras estrelas incluíam Charlie Chaplin. Em 1913, ele ganhava apenas 130 dólares por semana, mas no ano seguinte ele já estava recebendo 10.000 dólares por semana (500.000 dólares por ano, em uma época em que não havia imposto de renda federal). Ele ainda recebia um bônus de 150.000 dólares. Outras estrelas incluíam Mary Pickford, Douglas Fairbanks Sr., Fatty Arbuckle, os Keystone Cops, Harold Lloyd, Gloria Swanson, Tom Mix, Norma Talmadge, Douglas Fairbanks Jr., Colleen Moore, Norma Shearer, John Barrymore, Greta Garbo, Lon Chaney, Sr. e Clara Bow,. Na década de 1920, os estúdios de Hollywood estavam confiando nas estrelas para realizar os filmes e até mesmo criando estrelas quando necessário. Outras estrelas se beneficiaram de sua própria popularidade, como o ator Rudolph Valentino (estrela do filme “The Sheik”) que era altamente popular entre as mulheres e trazia grande público para seus filmes.

Além de ser uma das principais estrelas da época, Mary Pickford foi co-fundadora do Pickford-Fairbanks Studio (junto com Douglas Fairbanks) e, mais tarde, do estúdio de cinema United Artists (com Fairbanks, Charlie Chaplin e D. W. Griffith) e uma dos 36 fundadores originais da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas que apresentam a cerimônia anual de premiação, o Oscar. Seu marido, Douglas Fairbanks, também foi um dos fundadores da Academia e foi o primeiro apresentador do Oscar em 1929, um de seus principais papéis foi “O Ladrão de Bagdá” em 1924, filme aclamado por seu uso do estado da arte, efeitos visuais revolucionários e um design de produção considerado lendário.

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