La Nouvelle Vague

La Nouvelle Vague

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- 02/03/2020 17:31:52

 

 

A French New Wave, conhecida em francês como La Nouvelle Vague, foi um movimento formado por um grupo de diretores pioneiros que explodiram no cenário cinematográfico no final dos anos 50, revolucionando as convenções cinematográficas.

Pierre Billard usou o termo “new wave”, derivado de um artigo de Françoise Giroud publicado em L’Express no ano anterior, em um assunto debatido em uma edição de nº 58 do Cahiers du Cinéma sobre os novos diretores do cinema francês. No entanto, foi somente após a estreia de The 400 Blows (François Truffaut, 1959) e Les Cousins (Claude Chabrol, 1959) que a mídia fez uso extensivo da expressão Nouvelle Vague e a tornou popular como um símbolo de um movimento que estava a nascer na França.

Com ênfase na revigorante narrativa cinematográfica, o cinema da Nouvelle Vague rejeitou a tradicional forma de construção linear da narrativa e criou uma nova linguagem do cinema. Inspirada pelas representações dos trabalhadores comuns de classe baixa do neorrealismo italiano, a Nouvelle Vague se tornou uma influência de grande tamanho no cinema internacional e pode ser notada até hoje no cinema contemporâneo.


Originado da filosofia artística da “teoria do autor”, um conceito que reconhece o cinema como um produto da visão estética imaginativa e inspirada do diretor, os cineastas da Nouvelle Vague inspiraram o culto do diretor como ícone artístico da mesma forma como eram vistos os escritores, pintores e escultores. A importância filosófica da Nouvelle Vague e seu papel no desenvolvimento de uma teoria do cinema, deve-se, em grande parte, a um dos criadores mais influentes e cruciais do movimento, André Bazin, um renomado teórico, crítico de cinema e que fundou a famosa revista cinematográfica francesa Cahiers du Cinéma em 1951, a partir de onde surgiu o grupo de cineastas que formaria o movimento alguns anos depois. Entre eles estariam Jean-Luc Godard, François Truffaut, Claude Chabrol, Éric Rohmer e Jacques Rivette, que escreviam artigos e críticas de cinema para a revista e vieram a se tornar os “líderes” da Nouvelle Vague quando resolveram colocar suas teorias em prática.

A publicação inicial da revista em 1951 marcou um momento crucial na vida de muitos roteiristas e diretores franceses. Em sua crença em ver o cinema como uma arte altamente intelectual, Bazin era um acadêmico meticuloso e acreditava que o cinema era muito mais que apenas um entretenimento popular. A ênfase de Bazin no papel crucial de um diretor como o criador artístico que implementa sua própria visão estética e narrativa na tela foi debatida, interrogada e explorada em vários artigos da Cahiers du Cinéma. Esse tema foi abordado especificamente em uma famosa dissertação publicada em 1954 por François Truffaut, chamada “Uma Certa Tendência no Cinema Francês”. Truffaut também acredita que o diretor americano Morris Engel e seu filme Little Fugitive (1953) ajudaram a iniciar a Nouvelle Vague. “A nossa French New Wave nunca teria surgido se não fosse pelo jovem americano Morris Engel, que nos mostrou o caminho para a produção independente com este bom filme”, disse o diretor francês.


A “teoria do autor” abordada pelos escritores da revista sustenta que o diretor é o “autor” de seus próprios filmes, com uma assinatura pessoal visível de produção para produção. Eles elogiaram filmes de Jean Renoir e Jean Vigo e fizeram casos que até então eram considerados radicais pela distinção artística e grandeza de diretores de estúdios de Hollywood como Orson Welles, John Ford, Alfred Hitchcock e Nicholas Ray. O início da Nouvelle Vague foi um exercício dos escritores da Cahiers du Cinéma em aplicar essa filosofia ao mundo, dirigindo os próprios filmes.

“Le Beau Serge” (1958), de Claude Chabrol, é tradicionalmente creditado como o primeiro filme da Nouvelle Vague. Porém, o movimento só começou a ganhar tamanho a partir do ano seguinte. Truffaut, com “The 400 Blows” (1959) e Godard, com “Breathless” (1960), tiveram inesperados sucessos internacionais, tanto da parte da crítica quanto popularmente, o que trouxe a atenção do mundo para as atividades da Nouvelle Vague, possibilitando o florescimento do movimento.

Os autores acreditavam que a razão da popularidade se deve à relação que o público jovem criou com os filmes. O movimento era formado, em maioria, por jovens diretores no fim de seus 20 anos e início de seus 30 anos, e assim, demonstravam o estilo de vida crescendo em Paris nos anos 50 e 60 que muitos jovens podiam se associar. Outro fator que fazia o movimento se distinguir dos outros filmes eram as técnicas inovadoras e não convencionais que desafiavam as regras impostas pela indústria cinematográfica. Efeitos e métodos que agora parecem banais, clichês ou ordinários, como um personagem saindo de seu papel para abordar diretamente o público, eram radicalmente inovadores na época.


Muitos dos métodos vieram por conta da necessidade de infiltrar a criatividade em orçamentos baixíssimos que podiam limitar o diretor, mas ao invés de se tornar um obstáculo, os autores do movimento usaram isso em seu favor para trazer inovações. Notavelmente, nas produções de Godard, usava-se métodos sem precedentes que trouxeram grande atenção para os filmes do movimento, como a edição jump cuts visto em “Breathless”, método de edição que Godard resolveu usar quando foi pedido que seu filme tivesse no máximo uma hora e meia de duração. O diretor decidiu fazer jump cuts em suas cenas como uma decisão prática e também estilística. Também trouxe inovação em seus métodos de filmagem como tracking shots, que pode ser notado na famosa cena de trânsito em “Week End”.


O estilo cinematográfico da Nouvelle Vague trouxe um novo visual ao cinema com diálogos improvisados, rápidas mudanças de cenário e tomadas que quebraram o eixo comum de 180° do movimento da câmera. Em muitos  filmes da Nouvelle Vague, a câmera foi usada para brincar com as expectativas e ingenuidades do público. Além disso, esses filmes apresentavam temas existenciais, como enfatizar o indivíduo e a aceitação do absurdo da existência humana. Repleto de ironia e sarcasmo, os filmes também tendem a fazer referências à outros filmes.

O auge do movimento aconteceu entre 1958 e 1964, mas é datado que houveram filmes do movimento até 1973.

E um fator pouco informado é que a Nouvelle Vague tinha uma certa divisão de grupos e suas exatas propostas. Havia o grupo considerado os “fundadores” e “líderes” do movimento, formado pelos autores da revista Cahiers du Cinéma, considerado o berço da Nouvelle Vague. São eles: Claude Chabrol, François Truffaut, Jean-Luc Godard, Éric Rohmer e Jacques Rivette. Também existiu o grupo chamado Left Bank, ou Rive Gauche, que não lideravam o movimento, mas eram associados a Nouvelle Vague. Ao contrário do grupo da Cahiers, esses diretores do Left Bank eram mais velhos e menos aficionados por filmes, se comparado aos cineastas que lideravam a o movimento. Os cineastas do Left Bank viam o cinema semelhante a outras artes, como a literatura. No entanto, eles eram semelhantes aos diretores da Nouvelle Vague, a medida em que praticavam o modernismo cinematográfico. Seu surgimento veio na década de 50 e eles também se beneficiaram do público jovem. Os dois grupos, no entanto, não estavam em oposição, pois o Cahiers du Cinéma defendia o cinema do Left Bank, seus diretores e suas conquistas.


Os diretores do grupo Left Bank incluem Chris Marker, Alain Resnais, Agnès Varda, Jacques Demy e Henri Colpi. O primeiro a identificar esse seleto grupo foi Richard Roud, autor de cinema americano, que descreveu um distintivo “gosto por um tipo de vida boêmia e uma impaciência com a conformidade da Cahiers, um alto grau de envolvimento na literatura e nas artes plásticas e um consequente interesse no cinema experimental”, bem como uma identificação com a política de esquerda. Os cineastas desse grupo tendem a colaborar uns com os outros na produção de seus filmes. Há outros diretores como Jean-Pierre Melville, Alain Robbe-Grillet e Marguerite Duras que também podem ser associados ao grupo Left Bank. O movimento literário experimental chamado Nouveau Roman também foi um forte elemento no estilo do Left Bank, com autores contribuindo para muitos dos filmes.


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