O Cinema Surrealista

O Cinema Surrealista

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- 20/04/2020 11:24:41

 

O surrealismo é destrutivo, mas destrói apenas o que considera ser algemas que limitam nossa visão. Salvador Dalí.

"O surrealismo é baseado na crença na realidade superior de certas formas de associações anteriormente negligenciadas, na onipotência do sonho (...)."  André Breton
Filmes surrealistas são aqueles que criam uma imitação de sonhos, de automatismo fantasioso, replicando a própria mecânica dos sonhos, na qual o sonhador não tem vontade própria; onde imagens e ações são liberadas da filtragem lógica, funções tradicionais, sequências lineares e de beleza estilizada e estética. A realidade racional abre caminho para a realidade superior dos sonhos e do desejo sem censura. Filmes surrealistas, assim como pinturas surrealistas e poesias surrealistas, exploram justaposições de imagens discordantes que, na realidade ordinária, nunca interagem ou se associam entre si. 

Na França, se encontrou o berço do surrealismo no cinema, onde o fácil acesso à equipamento, investimento financeiro e uma boa quantidade de artistas interessados se movimentaram para levar o cinema ao movimento artístico que estava em ascendência na década de 1920. Com influências desde o Expressionismo Alemão, a popularização do movimento no cinema por Luis Buñuel, até o surrealismo moderno de David Lynch, vivemos alguns dos mais autênticos sonhos do cinema. E, em homenagem a esse fabuloso movimento, trazemos esse tema para que possamos sonhar junto a eles.

Apesar de ter sido completamente ofuscado pelo lançamento de Um Cão Andaluz em 1929, o curta-metragem francês A Concha e o Clérigo (1928), de Germaine Dulac, é considerado por muitos críticos e historiadores de cinema o primeiro verdadeiro trabalho surrealista no cinema. Também consideram que algumas das técnicas mais icônicas do movimento surrealista no cinema foram inicialmente influenciados por esse curta. 

Já no ano seguinte, com o lançamento de Um Cão Andaluz, de Luis Buñuel e Salvador Dalí, o movimento surrealista explodiu no cinema com uma das produções mais chocantes e famosas já lançada no cinema. A partir daí, o filme colocou Buñuel como a principal face do surrealismo cinematográfico. Com um filme surreal, os artistas do movimento queriam criar o desafio de mudar a noção do cinema além do entretenimento, onde o espectador não seria mais apenas passivo ao assistir um filme. 

Os artistas também desejavam criar novas experiências cinematográficas, além de fazer duras críticas a instituições tradicionais na sociedade como a igreja, família e casamento, como pode ser visto em produções de Buñuel atacando a Igreja Católica ou David Lynch com uma diferente representação de casamento no filme Eraserhead (1977).
Diferente da poesia surrealista, que em sua escrita só poderia criar metáfora linguística abstrata, o cinema surrealista podia mostrar também as imagens mais contraditórias ou absurdas, exibidos como fatos visuais e concretos. Um filme surrealista podia mostrar o maravilhoso ou estranho como real, a estranheza material da realidade. E, embora as pinturas surrealistas pudessem retratar cenas oníricas, elas ainda eram ilusões congeladas, enquanto o cinema surrealista podia mostrar objetos reais em movimento, como se movem em sonhos, o realismo paradoxal do surrealismo.

O crítico de cinema René Gardies escreveu em 1968: "Agora o cinema é, naturalmente, o instrumento privilegiado para desrealizar (sic) o mundo. Seus recursos técnicos (...) aliados à sua fotomagia, fornecem as ferramentas alquímicas para transformar a realidade". 

Os artistas surrealistas viram, no cinema, um meio que anulava os limites da realidade e viram o cinema como um perfeito meio de expressão com as infinitas possibilidades de criação de imagem e técnicas de filmagem. O Surrealismo no cinema ainda é visto como um movimento artístico, e não um gênero de filme, pois o reconhecimento de um gênero cinematográfico envolve a capacidade de citar diversos trabalhos que compartilham traços temáticos, formais e estilísticos, o que iria sugerir que no Surrealismo há repetição de elementos e uma fórmula reconhecível para identificá-lo como tal o que não é verdade.


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