Ang Lee, O Taiwanęs Que Conquistou O Ocidente

Ang Lee, O Taiwanęs Que Conquistou O Ocidente

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- 09/11/2020 18:22:36

 

Ang Lee (Chinês: 李安) nasceu no dia 23 de Outubro de 1954, no condado de Pingtung, em Taiwan. Seus pais vieram da província de Jiangxi na China e se mudaram para Taiwan em 1949, durante o final da Guerra Civil chinesa. Lee cresceu em uma casa com forte exigências de educação e seu pai foi o diretor de uma das escolas em que estudou. 

Lee falhou duas vezes em entrar para uma das principais universidades do país, apesar da pressão exercida por seu país, e decidiu entrar em um curso de três anos na Universidade Nacional de Artes de Taiwan, em 1973. Na universidade, atuou, escreveu, dirigiu diversas peças de teatro e venceu um prêmio de Melhor Ator na universidade onde se formou no final de 1975. 

Durante seus estudos na faculdade, assistiu A Fonte da Donzela (1960), de Ingmar Bergman; A Primeira Noite de Um Homem (1967), de Mike Nichols; O Eclipse (1962), de Michelangelo Antonioni e Ladrões de Bicicleta (1948), de Vittorio Di Sica; longas que tiveram grande influência para Lee decidir trabalhar com cinema.

Em 1978, se mudou para os Estados Unidos e estudou teatro na Universidade de Illinois, onde se graduou em 1980. Em seguida recebeu um diploma de cinema na Universidade de Nova York, onde foi colega de classe de Spike Lee e o ajudou em seu filme de tese, Joe's Bed-Stuy Barbershop: We Cut Heads (1983). Durante sua graduação, Ang Lee dirigiu o curta-metragem Shades of the Lake (1982), que foi premiado no Taiwan, e o seu projeto tese Fine Line (1984), premiado na Universidade.

 

Depois de se formar em 1984, Lee passou os seis anos seguintes lançando ideias sem sucesso para executivos de estúdios de Hollywood. Frustrado e deprimido com a estagnação de sua carreira no cinema nos Estados Unidos, inscreveu dois roteiros em um concurso de roteiro em Taiwan e conquistou o primeiro e segundo lugar na competição. Essa consagração influenciou duas produtoras de filmes independentes a financiar e produzir seus filmes, um deles foi Hsu Li-kong, da China Central Film Corporation, que convidou Lee para dirigir seu primeiro filme.

A Arte de Viver (1991), seu primeiro filme, levou Lee a estrear com grande sucesso e foi nomeado a oito categorias no Golden Horse Awards e recebeu o prêmio de Melhor Filme no Asia-Pacific Film Festival. Ang Lee e Hsu Li-kong trabalharam juntos novamente para produzir a próxima direção de Lee, O Banquete de Casamento (1993), que venceu o Urso de Ouro no Festival de Berlim e foi nomeado na categoria de Melhor Filme Estrangeiro no Globo de Ouro e na premiação da Academia do Oscar. Com toda essa consagração logo no início de sua carreira, Ang Lee logo se tornou um dos diretores mais promissores do cinema mundial.

Em seguida, Lee e Li-kong continuaram sua parceria na produção de Comer Beber Viver (1994), que foi um grande sucesso de crítica e de bilheteria. Pelo segundo ano consecutivo, foi nomeado na categoria de Melhor Filme Estrangeiro no Globo de Ouro e no Oscar, e também no BAFTA, além de receber diversos prêmios em Taiwan e pelo mundo, como o prêmio de Melhor Diretor no Independent Spirit Awards.

Com todo o sucesso que Lee encontrava, Hollywood abriu as portas para ele e o contratou para fazer uma adaptação do livro de Jane Austen, que resultou no filme Sensibilidade e Bom Senso (1995). Com o longa, Lee foi premiado pela segunda vez com o Urso de Ouro no Festival de Berlim, nomeado a sete categorias na premiação da Academia do Oscar e venceu o prêmio de Melhor Filme de Drama no Globo de Ouro.

Lee continuou em Hollywood para dirigir seus próximos dois filmes, Tempestade de Gelo (1997) e Cavalgada com o Diabo (1999). Os filmes tiveram uma recepção moderada da crítica, mas foram fracassos de público, quebrando a impressionante sequência de sucesso absoluto do diretor até então. 

Hsu Li-kong, o parceiro de seus primeiros filmes, voltou a entrar em contato com Lee e o convidou para fazer um filme no gênero de wuxia, usando artes marciais em uma história na China antiga. Essa nova parceria originou o longa O Tigre e o Dragão (2000), que se tornou o maior sucesso da carreira de Ang Lee até então. 

O filme foi nomeado para dez categorias no Oscar, o maior número de nomeações para um filme estrangeiro na história da premiação do Oscar - posteriormente empatado com Roma (2018), de Alfonso Cuarón. Além disso, se tornou um dos raros filmes estrangeiros a ser nomeado para o principal prêmio do Oscar, a categoria de Melhor Filme. O Tigre e o Dragão foi considerado um dos melhores e mais influentes filmes do cinema mundial e popularizou de vez o nome de Ang Lee pelo mundo.

Com o grande sucesso do momento, Lee foi convidado pela BMW para fazer um curta-metragem para a série de curtas produzidas pela empresa, The Hire, a qual Lee dirigiu o segmento Chosen (2001). Em seguida, foi convidado para retornar à Hollywood e dirigir a adaptação do personagem de quadrinhos, Hulk (2003). 

O longa foi um fracasso de crítica e de público, e fez com que Lee considerasse se aposentar da direção. Porém, seu pai o convenceu a continuar sua carreira. Então, em vez de se aposentar, decidiu apenas descansar por dois anos e rejeitou todos os trabalhos que ofereciam para ele nesse período.

Em 2005, voltou a direção com o drama americano O Segredo de Brokeback Mountain (2005), que levou Lee de volta a glória. O longa ganhou a atenção do público e se tornou um fenômeno cultural e alcançou grande sucesso de bilheteria, além de receber fortes aclamações da crítica. O filme se tornou o título mais aclamado de 2005 e recebeu um total de setenta e um prêmios pelo mundo, incluindo o prêmio do Leão de Ouro no Festival de Veneza e o Oscar de Melhor Diretor, além de oito nomeações na premiação. Com isso, Ang Lee se tornou o primeiro diretor não-branco a vencer a categoria na premiação.

Após o grande sucesso nos Estados Unidos, Lee voltou para o oriente, onde trabalhou no seu próximo filme, a produção chinesa Desejo e Perigo (2007). O longa causou grande controvérsia na China pelas cenas de erotismo explícitos, o que fez com que Tang Wei, a novata atriz e aclamada pela sua performance, fosse adicionada a lista negra no país por suas cenas de nudez. Como resultado, isso causou grande dano na carreira da promissora atriz. 

Para o lançamento na China, Lee teve que cortar nove minutos de cenas explícitas do longa e, nos Estados Unidos, o filme recebeu a classificação etária de 17 anos. Apesar dos problemas encontrados com o lançamento do filme, Desejo e Perigo recebeu altas aclamações da crítica e premiou Lee novamente com o Leão de Ouro em Veneza, o tornando o quarto cineasta a vencer o prêmio duas vezes.

Em 2009, o diretor foi convidado para ser o Presidente do Júri do Festival de Veneza. No mesmo ano, dirigiu Aconteceu em Woodstock (2009), filme que estreou no Festival de Cannes e foi considerado um fracasso de crítica e de público. Dessa forma, o longa se tornou dos trabalhos mais esquecidos do diretor.

Seu sucesso logo voltou com o filme As Aventuras de Pi (2012), que se tornou a maior bilheteria de sua carreira, pois vendeu mais de 600 milhões de dólares pelo mundo. O longa chamou grande atenção do público pelo autêntico e artístico uso da tecnologia 3D para a experiência da história. O filme também foi grande sucesso de crítica; recebeu onze nomeações na premiação do Oscar e Lee venceu a categoria de Melhor Diretor pela segunda vez.

Quatro anos depois, voltou para a direção com A Longa Caminhada de Billy Lynn (2016), que chamou a atenção pelo uso de uma alta taxa de quadros. O longa foi filmado em 120 quadros por segundo, técnica ainda mais notável com o uso do formato 3D e na definição 4K. O filme teve uma recepção moderada da crítica, porém, foi um fracasso de público.

Ang Lee se utilizou novamente da alta taxa de quadros de 120 quadros por segundo no filme Projeto Gemini (2019), estrelado por Will Smith, com quem foi usado a tecnologia para rejuvenescimento do ator. Porém, dessa vez, as escolhas técnicas de Lee foram amplamente criticadas, assim como o resto do filme. Desse modo, o longa também foi um grande fracasso de bilheteria.

Apesar de não haver previsão, Lee afirmou que já tem um próximo projeto para trabalhar, Thrilla in Manila, escrito por Peter Morgan. O filme foi colocado em espera desde 2014, pois o diretor optou dirigir A Longa Caminhada de Billy Lynn (2016) e Projeto Gemini (2019) primeiro.

Apesar de alguns fracassos em sua carreira, Ang Lee ainda se mantém como um dos cineastas mais consagrados do cinema contemporâneo mundial e um dos diretores mais aclamados e premiados do mundo. Lee se tornou o maior nome do cinema de Taiwan e liderou a segunda onda do Novo Cinema Taiwanês, além de ter ajudado a popularizar o cinema nacional com os seus grandes sucessos. 

O diretor é conhecido principalmente por sua diversidade em gêneros de filmes. Cada um de seus filmes é de um gênero e assunto completamente diferente do anterior. No entanto, cada escolha que ele faz refina ainda mais sua exploração singular da relação entre a sociedade e o indivíduo. Quando visto em sequência, seu trabalho é notavelmente consistente. Apesar da diversidade de assuntos, Ang Lee sempre consegue encontrar temas comuns em qualquer material que escolhe, definindo o conceito de globalização no cinema melhor do que qualquer outro diretor. 

 
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