Hirokazu Kore-eda, O Poeta Japonęs

Hirokazu Kore-eda, O Poeta Japonęs

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- 09/10/2020 10:03:13

 

Hirokazu Kore-eda (是枝 裕和) nasceu no dia 6 de Junho de 1962 na região de Nerima, em Tóquio, no Japão. Sua família se mudou para Kiyose, onde viveu por nove anos e para onde Kore-eda retornou para gravar um de seus filmes, Depois da Tempestade (2016). Quando criança, sua mãe adorava assistir filmes e, assim, foi influenciado desde cedo a assistir diversas sessões de filmes na sala de cinema de Ikebukuro. 

Desde jovem, Kore-eda já se sentia influenciado por programas de TV como Ultraman e Ultra Seven, com suas metáforas para discriminação e guerra. Kore-eda também era fã do ator Kenichi Hagiwara e afirma ter sido impactado significativamente ao assistir os filmes de Alfred Hitchcock, especialmente após assistir Os Pássaros (1963).

Seu objetivo original era começar uma carreira como autor de livro, então estudou literatura na Universidade de Waseda. Porém, mudou de ideia após a sua formatura e se voltou para o cinema, principalmente após assistir um filme de Federico Fellini. Nessa época, Kore-eda frequentava o cinema ACT Mini Theater todos os dias após as suas aulas, pois tinha um passe anual ilimitado que custou dez mil ienes. 

Para sua tese de graduação, escreveu um roteiro original. Kore-eda começou sua carreira em 1987, como assistente de direção da TV Man Union, uma empresa de televisão japonesa independente. Com o intuito de começar sua carreira como diretor, trabalhou em oito curtas-metragens sobre a vida nas margens da sociedade japonesa e em diversos anúncios de programas de TV. 

Em 1991, fez seu primeiro trabalho como diretor, o documentário para televisão, Lessons from a Calf, que foi premiado no Japão. Após sua experiência de trabalho com documentários, Kore-eda afirmou que “a experiência de fazer esses documentários me fez querer tornar as coisas mais próximas da vida das pessoas comuns nos filmes”, o que de fato seria uma grande influência em seus longas-metragens. 

Seu primeiro filme como diretor de cinema foi Maborosi, a Luz da Ilusão (1995), que iniciou um tema narrativo ao qual ele retornaria diversas vezes, a exploração da perda e o exame de como os indivíduos lidam com sua dor. Kore-eda venceu o Golden Osella de Melhor Diretor e o OCIC Award no Festival de Veneza, e o longa foi um sucesso internacional. Seu próximo filme, Depois da Vida (1998), foi exibido em mais de trinta países, o que era considerado um grande feito na época para um filme independente. Além disso, recebeu o prêmio Grand Prix no Festival de Nantes e os prêmios de Melhor Filme e Melhor Roteiro no Festival de Buenos Aires.

Em 2001, Kore-eda lançou seu novo longa, Tão Distante, que foi o seu primeiro filme a ser exibido em competição no Festival de Cannes. Anos depois, voltou a Cannes com o filme Ninguém Pode Saber (2004) e o jovem ator Yūya Yagira recebeu o prêmio de Melhor Ator, se tornando o primeiro japonês e o mais jovem a ser premiado na categoria. O filme ainda recebeu treze prêmios em diversos festivais internacionais e foi um grande sucesso da crítica.

Seus próximos filmes foram Hana (2006) e Andando (2008). O segundo é baseado em sua família e suas próprias memórias de infância. O filme foi aclamado pela crítica, porém, a produtora do filme faliu durante a exibição do filme nos cinemas e o longa perdeu todo o lucro com a renda nacional. No entanto, foi possível recuperar os lucros com o sucesso internacional dos fãs que apoiaram o filme. Também em 2008, Kore-eda lançou um documentário sobre a cantora japonesa Cocco, chamado Daijōbu Dearu Yō ni: Cocco Owaranai Tabi. Até então, Kore-eda havia trabalhado apenas com roteiros originais, porém, no ano seguinte, dirigiu seu primeiro filme baseado em um mangá, Boneca Inflável (2009).

Em seguida, Kore-eda continuou seus trabalhos e dirigiu O Que Eu Mais Desejo (2011), o curta documental The Message from Fukushima (2012) e, a série de televisão japonesa, Going My Home (2012). O seu maior sucesso veio com Pais e Filhos (2013), que teve a sua grande estreia no Festival de Cannes e foi ovacionado por dez minutos, o que comoveu Kore-eda fortemente. O longa competiu pela Palma de Ouro e venceu o Grande Prêmio do Júri no Festival. Pais e Filhos foi um grande sucesso no Japão e se tornou a sua maior bilheteria até o momento.

Em 2015, lançou o documentário para televisão Ishibumi, que serviu como um memorial à aniquilação atômica de 321 alunos da Escola Secundária de Hiroshima. No mesmo ano, Kore-eda dirigiu Nossa Irmã Mais Nova (2015), que também competiu pela Palma de Ouro no Festival de Cannes e foi um sucesso de bilheteria no Japão. A partir daí, Kore-eda lançou um filme por ano, seguindo com Depois da Tempestade (2016), que estreou com aclamação na seção Un Certain Regard do Festival de Cannes, e O Terceiro Assassinato (2017), filme que o consagrou com os prêmios de Melhor Filme e Melhor Diretor no Japan Academy Prizes e foi exibido em competição no Festival de Veneza.

No ano seguinte, Kore-eda lançou o maior sucesso de sua carreira: seu filme mais aclamado pela crítica, seu maior sucesso de público e seu maior sucesso em premiações pelo mundo; Assunto de Família (2018). Inspirado em reportagens sobre a pobreza e furtos acontecendo no Japão, Kore-eda escreveu um roteiro sobre o que se faz uma família. O longa venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes, ganhou o César Awards de Melhor Filme Estrangeiro, concorreu à mesma categoria no Globo de Ouro e na premiação do Oscar, e foi ganhou diversas premiações pela Ásia e por círculos de crítica nos Estados Unidos. O filme fez com que Kore-eda se tornasse um dos principais diretores do cinema mundial contemporâneo. 

No mesmo ano, recebeu o prêmio honorário Donostia Award no Festival de São Sebastião na Espanha por todas as suas realizações. No ano seguinte, seu filme mais recente foi lançado, A Verdade (2019), produzido na língua francesa e inglesa. Esse foi o seu primeiro filme em uma outra língua e o longa contou com grandes atores como Catherine Deneuve, Juliette Binoche, Ethan Hawke e Ludivine Sagnier.

Kore-eda já tem o seu próximo projeto marcado para ano que vem, "Broker", que também será uma produção internacional. Kore-eda fará um filme na Coréia do Sul, na língua coreana e com um elenco coreano que já conta com Bae Doona, Song Kang-ho e Kang Dong-won.

O estilo cinematográfico de Kore-eda é frequentemente comparado com o cinema de Yasujiro Ozu, tanto pela crítica quanto pela mídia. Porém, apesar de apreciar as comparações como um elogio, o cineasta afirma que se sente mais influenciado pelo diretor Mikio Naruse do que por Ozu. Kore-eda estima ter um forte controle em suas produções e, além de dirigir e preferir escrever roteiros originais, também foi o editor de treze de seus quatorze longas-metragens. 

O cineasta sempre anda com um caderno para anotar novas ideias e gosta de reescrever cenas no local das filmagens dependendo da reação dos atores e os resultados encontrados no dia da gravação. Kore-eda possui diversos trabalhos com atores mirins e, em vez de escrever monólogos para as crianças, o diretor prefere explicar os diálogos verbalmente para os atores mirins e deixar que eles usem os diálogos com suas próprias palavras para causar uma maior realidade entre os atores e as crianças na vida real.

Os filmes de Hirokazu Kore-eda costumam ser descritos como “poemas no cinema” graças à sua qualidade lírica e beleza visual. Além disso, outra característica digna de se notar é a maneira pela qual o diretor entrelaça os estilos documental e narrativo.


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