Mulheres na Direção #1

Mulheres na Direção #1

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- 03/03/2020 12:03:22

Mulheres na Direção #1


Chantal Akerman

Chantal Akerman foi uma diretora de cinema belga, roteirista e professora de cinema no City College de Nova York. Akerman afirma que aos 15 anos, quando assistiu Pierrot le Fou de Jean-Luc Godard foi o exato momento em que decidiu seguir a carreira de cineasta. Logo aos 18 anos, Akerman entrou na Institut National Supérieur des Arts du Spectacle et des Techniques de Diffusion, uma escola de cinema na Bélgica, porém logo no primeiro semestre, decidiu largar o curso e fazer seu primeiro curta-metragem, Saute ma ville, que ela mesmo financiou após vender seus diamantes em 1971.

 

O filme mais importante de Akerman foi lançado em seus 25 anos, em 1975, intitulado “Jeanne Dielman, 23 Quai du Commerce, 1080 Bruxelles”. Muitas vezes considerado um dos maiores exemplos do cinema feminista, o filme faz um estudo hipnótico em tempo real de uma viúva de meia-idade e sua sufocante rotina de tarefas domésticas e prostituição. Após o lançamento do filme, o New York Times chamou o filme Jeanne Dielman de “primeira obra-prima do feminino na história do cinema” e hoje é considerado um dos filmes mais importantes da história do cinema, onde começou sua importância e grande influência para o movimento feminista e a vanguarda do cinema.

 

A arte de Akerman se caracteriza pela secura da linguagem, pela falta de associações metafóricas, pela composição de uma série de blocos descontínuos e pelo interesse em colocar poucos diálogos a favor de priorizar uma nova intensidade nas emoções. Akerman foi influenciada pelo cinema artístico europeu, assim como por filmes estruturalistas. Esse tipo de filme usava a experimentação formalista para propor uma relação recíproca entre a imagem e o espectador. Seus trabalhos artísticos são exibidos até hoje em Mostras por todo o mundo e Akerman ainda é considerada uma das principais figuras da história do cinema feminista.

 

Chantal Akerman é o grande nome do episódio de hoje do nosso programa rosebud.bio. Para complementar esse texto sobre a diretora, o episódio já está disponível para ser assistido em Rosebud.bio - Ep. 11 - Chantal

 

Alice Guy-Blaché

Alice Guy-Blaché foi pioneira em filmes e a primeira diretora feminina. Trabalhando para a Gaumont Film Company na França na época em que o cinema estava sendo inventado, ela criou “La Fée aux Choux” em 1896. Entre 1896 à 1906, foi a única cineasta feminina do mundo.

 

Guy começou a trabalhar na Gaumont como secretária, mas logo conseguiu aumentar sua função na empresa. Ela começou a se familiarizar com uma grande quantidade de clientes, estratégias de marketing relevantes e o estoque de câmeras da empresa. Além disso, conheceu engenheiros de cinema pioneiros como Georges Demenÿ, Auguste & Louis Lumière. Guy e Gaumont participaram do evento “surpresa” dos irmãos Lumière em 22 de março de 1895, foi a primeira demonstração de projeção de filmes, um obstáculo que Gaumont e os Lumières (assim como Thomas Edison) estavam correndo para resolver.

 

Entediada com a ideia de que o filme capturado fosse usado apenas para fins científicos e promocionais para vender câmeras na forma de “filmes de demonstração”, ela estava confiante de que poderia incorporar elementos fictícios de contar histórias em filmes. Assim, pediu a permissão de Gaumont para fazer seu próprio filme e ele concedeu. O primeiro filme de Alice Guy, e possivelmente o primeiro filme narrativo do mundo, foi chamado de “La Fée aux Choux”. De 1896 à 1906, Guy foi chefe de produção de Gaumont e é geralmente considerada a primeira cineasta (homem e mulher) a desenvolver sistematicamente o cinema narrativo.

 

Em 1906, ela fez “The Life of Christ”, uma produção de grande orçamento para a época e que incluiu 300 extras. Além disso, foi uma das pioneiras no uso de gravações de áudio em conjunto com as imagens na tela do sistema “Chronophone” da Gaumont Film Company, que usava um disco de corte vertical sincronizado com o filme. Ela também usou alguns dos primeiros efeitos especiais, inclusive usando dupla exposição, técnicas de mascaramento e executando um filme de trás para frente. De 1896 à 1920, dirigiu mais de 1.000 filmes, dos quais cerca de 150 sobreviveram (os outros são considerados filmes perdidos) e 22 deles são filmes de longa-metragem.

 

No final da década de 1940, Guy escreveu uma autobiografia onde se demonstrava tremendamente preocupada com sua inexplicável ausência dos registros históricos da indústria cinematográfica. Guy estava em constante comunicação com colegas e historiadores de cinema, corrigindo declarações previamente feitas e supostamente factuais sobre sua vida. Ela ainda elaborou longas listas de seus filmes enquanto se lembrava deles, com a esperança de ser capaz de assumir a propriedade criativa e obter crédito legítimo por eles.

 

Lina Wertmüller

Lina Wertmüller é uma roteirista e diretora do cinema italiano. Foi a primeira mulher nomeada a um Oscar na categoria de Melhor Diretor, por seu trabalho no filme “Seven Beauties” em 1977.

 

Depois de seus anos passados em turnê com um grupo de fantoches, Wertmüller voltou sua atenção para o cinema. No início dos anos 60, Flora Carabella, uma atriz italiana e sua antiga amiga da escola, apresentou Lina à Marcello Mastroianni, marido de Flora e famoso ator italiano, que a apresentou ao mentor e renomado cineasta Federico Fellini. Wertmüller falou muito sobre a importância de seu relacionamento com Fellini, com particular ênfase em sua influência sobre ela durante seu tempo como assistente de direção em 8 1/2.

 

A influência do estilo de Fellini é evidente em grande parte do trabalho de Wertmüller. Os dois compartilham uma empatia comum sobre o modo como seus filmes vêem a classe trabalhadora italiana, mostrando as realidades da vida para os politicamente negligenciados e economicamente oprimidos com uma tendência para o absurdo. O trabalho de Wertmüller também parece exibir uma verdadeira adoração da Itália e seus locais variados, embelezando elementos das locações de seu filme com a cinematografia que apresenta os assuntos da câmera com uma extravagância colorida que idealiza as configurações distintamente italianas de seus filmes.

 

Sua estética é aquela que empresta muito de seu passado no teatro, rotineiramente usando a câmera de tal forma que enfatiza a performance e a grandiosa comédia do estado quase constante de frenesi emocional de seus personagens. Grande parte de seu trabalho usa táticas formais de filmes para dramatizar a má aplicação e as qualidades destrutivas que a ideologia política pode ter sobre os indivíduos, satirizando as concepções comuns de revolução e o status quo político no processo.

 

Entre seus principais trabalhos estão The Seduction of Mimi, Love and Anarchy, Swept Away e Seven Beauties.

 

Jane Campion

Jane Campion é uma roteirista, produtora e diretora da Nova Zelândia. Campion começou sua carreira fazendo faculdade para se profissionalizar em pintura e se formou no curso de Artes Visuais. Baseado em sua educação na escola de arte, Campion cita a pintora surrealista Frida Kahlo e o escultor Joseph Beuys como influências em sua arte. Porém, insatisfeita com os limites da pintura como médium, Campion recorreu ao cinema e criou seu primeiro curta-metragem, Tissues, em 1980. Já em 1981, começou a estudar na Escola Australiana de Cinema, Televisão e Rádio, onde produziu vários curtas-metragens e se formou em 1984.

 

Seus filmes tendem a gravitar em torno de temas de política de gênero, como a sedução e o poder sexual feminino. Isso levou alguns a rotular os trabalhos de Campion como feministas. O trabalho de Campion é também descrito como “talvez o modo mais completo e mais verdadeiro de ser fiel à realidade da experiência”. Ao utilizar o “indizível” e “invisível”, ela consegue catalisar a especulação do público.

 

Na 66ª edição do Oscar, em 1994, se tornou a segunda mulher a ser nomeada à categoria de Melhor Diretor, por seu trabalho em “The Piano”, o filme mais aclamado de sua carreira. Além desse, a diretora também é aclamada por outras produções como “An Angel at My Table”, “Bright Star” e a série de TV, “Top of The Lake”.

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