O Autor no Cinema

O Autor no Cinema

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Blog - Artigos
- 07/08/2020 11:52:52


O que faz um diretor ser um autor? O que significa ser um autor no cinema? Isso é um debate que já acontece há décadas pela indústria cinematográfica. Alguns teóricos mencionaram o que seria a “teoria do autor”.

A teoria do autor é uma visão para observar o cinema que exige que o diretor é o "autor" de um filme. A teoria argumenta que um filme é um reflexo da visão do diretor, portanto, um filme de um determinado cineasta apresentará temas recorrentes e reconhecíveis, além de recursos visuais que permitem ao espectador observar uma identidade artística consistente em todo trabalho do diretor.

A gênese do termo é frequentemente creditada aos críticos da revista francesa de cinema Cahiers du Cinéma, fundada pelo crítico de cinema André Bazin, que começou a abordar e debater a teoria na revista junto de outros críticos. Esses críticos posteriormente se tornaram diretores da Nouvelle Vague e colocaram a teoria em prática em seus filmes, como François Truffaut e Jean-Luc Godard. No entanto, de acordo com Julian Cornell, professor da Universidade de Nova York, a ideia da teoria já existia antes de sua popularização pelos escritores da Cahiers du Cinéma, que simplesmente refinaram a teoria. Cornell afirmou que: “Na Nouvelle Vague, as pessoas desenvolveram a noção do cineasta como artista. Eles não inventaram a ideia, mas a popularizaram. Um cineasta alemão que começou como diretor de teatro alemão, Max Reinhardt, teve a ideia do autor; o autor dos filmes. Então, Truffaut e a Nouvelle Vague popularizou e reviveu a ideia.”

Embora os diretores da era clássica de Hollywood não tenham concebido os filmes em termos da teoria do autor, os críticos da Cahiers du Cinéma aplicaram o rótulo a muitos diretores da época. Assim, encontraram linhas distintas de identidade diretiva nas carreiras de artistas que trabalharam contra o processo de produção comercial e industrializada dos estúdios de Hollywood. Um dos cineastas apontados pelos críticos da Cahiers que mais encarna a ideia do autor foi Alfred Hitchcock.

Depois que a ideia do diretor como autor foi articulada, os diretores posteriores começaram a criar trabalhos mais conscientemente pessoais e autorreferenciais. Hitchcock foi identificado como autor, pois sua personalidade aparece em todos os seus filmes, apesar de contar histórias que não são específicas sobre ele. Federico Fellini, por sua vez, criou filmes que não apenas exibiam em imagens suas marcas, interesses, personalidade e temas recorrentes, mas refletia explicitamente sua própria vida, o que marcava seus filmes como autoria própria.

Na crítica de cinema, o termo “autor” é utilizado algumas vezes como honorífico, para elogiar diretores com uma forte marca artística e, outras vezes, apenas como uma descrição, para sugerir que os diretores sejam os principais responsáveis ​​pela qualidade de um filme. Às vezes é usado para a interrupção de produtores e estúdios no trabalho dos diretores, assim, interrompendo a devida “autoria” de seus trabalhos. Em todos os casos, o termo sugere que o trabalho dos diretores é a chave para a identidade artística de um filme.

A teoria do autor é muito debatida, pois uns afirmam que a autoria deve ser completamente do diretor, enquanto outros argumentam que outras pessoas que também trabalham no filme podem contribuir na criação da autoria de um trabalho. Um diretor de fotografia que sugere ideias para a fotografia de um longa ou um ator que contribui em elevar os aspectos de um personagem no uso de improvisações podem contribuir imensamente na criação de um filme. O filme “Clímax” (2018), de Gaspar Nóe, é um filme autoral criado na base da improvisação, não apenas dos atores, fazendo do longa uma autoria de todos e não só do diretor. 

Entretanto, muitos concordam que a autoria de um filme deve seguir uma visão, um toque pessoal, uma ideia original e autêntica. Um filme autoral é oposto de um trabalho com propósito unicamente comercial, seguindo regras de produtores e estúdios e seguindo uma certa fórmula utilizada pela indústria; sem riscos, com objetivo de produzir um filme de agrado para o grande público, e com uma preocupação maior no lucro do que com a arte de se fazer cinema.

 

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