Hou Hsiao-hsien, O Mestre Taiwanęs

Hou Hsiao-hsien, O Mestre Taiwanęs

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- 06/11/2020 12:40:00


Hou Hsiao-hsien (Chinês: 侯孝賢) nasceu no dia 8 de Abril de 1947 no distrito de Meixian, província de Cantão, na China. No ano seguinte, em 1948, por conta da Guerra Civil acontecendo na China, sua família imigrou para Fengshan, no condado Kaohsiung, em Taiwan, onde passou toda sua infância e adolescência.

Quando criança, “jogava” com todo o dinheiro de sua família, mas recebeu um aviso de serviço militar, o que Hsiao-hsien alega ter feito uma boa mudança em sua vida. Após o serviço militar, Hou foi admitido no Departamento de Cinema da Universidade Nacional de Artes de Taiwan, onde se graduou.

Segundo ele, quando era soldado, decidiu trabalhar na indústria cinematográfica porque ia ao cinema durante as férias e podia ver até quatro filmes por dia. “Mas, naquela época, eu só gostava de filmes e não tinha a menor ideia do que fazer”, ele afirmou. “Até me formar na Universidade Nacional de Artes, trabalhei como assistente de direção e roteirista, e nem queria ser diretor.” 

Hsiao-hsien disse que queria ser ator e participou de uma competição de canto quando estava estudando, mas ficou tão nervoso que não conseguiu performar e foi eliminado ainda na competição preliminar. Hsiao-hsien contou que “mais tarde, participei de filmagens e descobri que os atores têm 180 cm de altura e são bonitos, então decidi ficar nos bastidores”.

Em 1973, entrou na indústria cinematográfica e trabalhou como roteirista em "The Heart with a Million Knots", de Li Xing, a fim de acumular experiência aos poucos. Em 1975, começou a escrever para o próximo trabalho dirigido por Lai Chengying. Em 1980, Hsiao-hsien dirigiu o seu primeiro longa-metragem, Menina Bonita (1980). No ano seguinte, lançou seu segundo filme, Vento Gracioso, onde se reuniu com o mesmo trio de atores do filme Menina Bonita. 

Um ano depois, dirigiu A Grama Verde de Casa (1982), que foi aclamado e nomeado para o principal evento cinematográfico de Taiwan, o Golden Horse Film Festival & Awards, nas categorias de Melhor Filme e Melhor Diretor. Pelo quarto ano seguido, Hsiao-hsien lançou mais um filme, Os Garotos de Fengkuei (1983), e foi novamente nomeado nas principais categorias do Golden Horse Awards, além de vencer o principal prêmio do Festival de Nantes. 

No mesmo ano, trabalhou na produção de "Growing Up", dirigido por Chen Kunhou, como assistente de direção e roteirista, além de ter dirigido um segmento do filme O Homem Sanduíche (1983). Desde então, Hsiao-hsien contribuiu com o início do Novo Cinema Taiwanês, na primeira onda do movimento

Em 1984, Hsiao-hsien dirigiu seu próximo filme, um coming of age* semi autobiográfico. Um Verão na Casa do Vovô (1984) o consagrou com uma nomeação no Golden Horse, além de ser premiado no Asia-Pacific Film Festival e diversos outros festivais como Festival de Locarno e Festival de Nantes. O filme conta com uma participação especial de Edward Yang, que retribuiu o convidando para o papel principal em História de Tapei (1985), filme o qual Hsiao-hsien também co-escreveu.

Em seguida, Hsiao-hsien completa sua sequência de filmes coming of age com os títulos Um Tempo para Viver, Um Tempo para Morrer (1985) e Poeira ao Vento (1986). Ambos filmes contaram com o início da sua parceria de longa data com Mark Lee Ping-bing, considerado um dos melhores diretores de fotografia do cinema asiático. As duas produções receberam diversos prêmios em festivais pelo mundo. 

Em 1987, lançou seu oitavo longa, A Filha Do Nilo (1987), protagonizado pela Popstar taiwanesa, Lin Yang. Hsiao-hsien continuou suas produções com três filmes que contam parte da história de Taiwan; começando com A Cidade das Tristezas (1989), estrelado pela estrela do cinema de Hong Kong, Tony Leung Chiu-Wai. 

A Cidade das Tristezas foi muito aclamado e se tornou o primeiro filme taiwanês a vencer o Leão de Ouro no Festival de Veneza, Hsiao-hsien também foi premiado com mais duas honras por seu trabalho artístico. Além disso, recebeu diversos prêmios pelo mundo e foi nomeado para Melhor Filme Estrangeiro no Independent Spirit Awards, premiação americana dedicada ao cinema independente.

Em 1992, Hsiao-hsien fundou a Hou Hsiao-hsien Film Agency Co. para operar a produção e distribuição de filmes, antecessora da Sansan Film Production Co. No ano seguinte, lançou seu décimo filme, O Mestre das Marionetes (1993), que também recebeu altas aclamações e foi premiado com o Prêmio do Júri no Festival de Cannes, além de ter competido pela Palma de Ouro. O longa é feito em forma narrativa-documental e foi listado pela BFI (British Film Institute) em 2012 como um dos melhores filmes de todos os tempos.

Em seguida, lançou o terceiro filme da sua trilogia de filmes históricos, Bons Homens, Boas Mulheres (1995), nomeado para Palma de Ouro no Festival de Cannes, além de ter sido prestigiado em diversas premiações e festivais. No ano seguinte, dirigiu Adeus ao Sul (1996), que também entrou em competição pela Palma de Ouro em Cannes. 

Seus dois próximos filmes também estavam em competição pela Palma de Ouro. Flores de Xangai (1998) foi sua nova reunião com a estrela de Hong Kong, Tony Leung Chiu-Wai, e Millennium Mambo (2001), sua primeira parceria com uma das principais estrelas taiwanesas, Shu Qi. 

Millennium Mambo recebeu especiais aclamações pelo toque artístico e autêntico de Hsiao-hsien no longa e a bela fotografia de Ping-bing, que trouxe para Millennium Mambo uma fotografia fantástica, semelhante ao que fez em seu trabalho no ano anterior, no filme Amor à Flor da Pele (2000), de Wong Kar-wai.

Em 2003, Hsiao-hsien dirigiu uma produção japonesa, Café Lumière (2003), que foi feito como uma homenagem ao lendário cineasta japonês, Yasujirō Ozu, a quem Hsiao-hsien considera uma de suas principais influências cinematográficas. O longa foi recebido com aclamação no Japão e concorreu ao Leão de Ouro no Festival de Veneza.

Em seu próximo filme, Hsiao-hsien se reuniu novamente com Shu Qi no filme Três Tempos (2005), onde conta três histórias separadas em três diferentes períodos. Hsiao-hsien entrou em competição mais uma vez pela Palma de Ouro em Cannes e foi muito bem recebido pela crítica. Em 2007, foi convidado para participar e fazer um curta-metragem, um projeto especial para celebrar os 60 anos do Festival de Cannes, intitulado Cada Um Com Seu Cinema, com outros 35 cineastas convidados do mundo todo. 

Ainda em 2007, dirigiu o seu primeiro filme francês, A Viagem do Balão Vermelho (2007), estrelado por Juliette Binoche. O longa concorreu ao prêmio Un Certain Regard no Festival de Cannes e venceu o prêmio FIPRESCI, entregue pela Federação Internacional de Críticos de Cinema.

Em 2011, dirigiu mais um curta-metragem, La Belle Epoque, sua contribuição para o filme 10+10. Seu mais recente filme foi A Assassina (2015), sua terceira parceria com Shu Qi e seu trabalho mais bem sucedido em premiações. O longa o consagrou com o prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes e Melhor Trilha Sonora no Asian Film Awards.

No Golden Horse, o filme foi altamente consagrado com os prêmios de Melhor Diretor, Melhor Filme, Melhor Fotografia e mais duas categorias, além de ter sido nomeado em outras cinco categorias, como a indicação de Shu Qi para Melhor Atriz. O longa também foi nomeado para Melhor Filme Estrangeiro no BAFTA, a principal premiação do Reino Unido, e foi consagrado em diversas outras premiações e festivais de cinema pelo mundo.

Com o tempo, Hsiao-hsien construiu uma reputação pelo estilo desafiador e episódico de suas narrativas e se identificou com o uso de amplas tomadas principais de personagens envolvidos em ações mundanas, muitas vezes sem palavras, com imagens que interpretam as situações de maneira mais eficaz do que um diálogo. 

Os filmes de Hsiao-hsien deixam os espectadores com a profunda compreensão das mudanças na sociedade de Taiwan após a industrialização e urbanização. Isso se dá por meio de representações das diferentes ordens sociais, normas de valor e interações interpessoais em áreas urbanas e rurais. Essas situações resultam em experiências de vida significativas e mudanças bruscas em seus personagens. 

Hsiao-hsien usa suas lentes para contar seu próprio crescimento e também retrata o crescimento da sociedade taiwanesa, levando ele e Taiwan para o cenário mundial. Com uma longa série de filmes aclamados, o diretor contribuiu para o seu cinema nacional e ajudou a popularizar o cinema de Taiwan por todo o mundo, de modo que Hou Hsiao-hsien se tornou um dos principais nomes do cinema taiwanês e do cinema asiático.


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